DIN 43673: furação, conexões e montagem de barramentos de cobre em painéis elétricos
Por que a montagem não pode ser feita "no olho"
Um barramento pode ter seção suficiente para conduzir a corrente e, ainda assim, falhar na conexão. Furos mal posicionados, pequena área de sobreposição, superfícies oxidadas, pressão de contato insuficiente ou torque inadequado elevam a resistência elétrica da junta. O resultado pode ser aquecimento localizado, perda progressiva de pressão, carbonização de suportes, dano ao isolamento e, no pior cenário, arco ou curto-circuito.
Também há um problema de fabricação. Quando cada montador define a furação no momento da montagem, peças equivalentes deixam de ser intercambiáveis, os desenhos perdem rastreabilidade e a manutenção passa a depender de adaptações. Vibração, ciclos térmicos e dilatação do cobre tornam essas improvisações ainda menos tolerantes.
A DIN 43673-1 oferece uma referência geométrica e construtiva para evitar esse tipo de variação. Ela organiza a posição e o diâmetro dos furos e apresenta arranjos usuais de uniões aparafusadas para barramentos retangulares. Isso melhora a repetibilidade entre projeto, usinagem, montagem e reposição.
A DIN 43673-1 padroniza a interface mecânica da conexão. Ela não comprova, sozinha, a capacidade de corrente, a suportabilidade ao curto-circuito, a coordenação de isolamento nem a conformidade do painel completo.
O que é a DIN 43673-1
A DIN 43673-1 é uma norma alemã intitulada, em tradução livre, furos e conexões aparafusadas para barramentos com seção retangular. A edição DIN 43673-1:1982-02 aparece como vigente no catálogo oficial da DIN consultado em 16 de julho de 2026. Como o estado de uma norma pode mudar, a edição aplicável deve ser confirmada no início de cada projeto.
Seu foco é a interface mecânica de barras retangulares, especialmente a geometria de furação e a união por parafusos. O documento é curto e não deve ser interpretado como um manual completo de projeto de barramentos ou de painéis elétricos.
Na prática, a norma ajuda a responder perguntas como:
- onde posicionar o eixo dos furos em relação às bordas da barra;
- qual diâmetro de furo corresponde ao arranjo especificado;
- como distribuir dois ou mais furos ao longo da largura útil da ligação;
- como representar emendas e conexões aparafusadas de forma repetível;
- quais elementos de fixação precisam ser considerados no procedimento de montagem.
O que a norma ajuda a padronizar
Aspecto • O que deve constar no projeto • Por que importa Posição dos furos • Eixos, referências de origem e orientação da peça • Evita desalinhamento e montagem forçada Diâmetro dos furos • Valor de d, tolerância e processo de fabricação • Compatibiliza parafuso, folga e capacidade da seção remanescente Distância até a borda • Valor de e1 medido até o centro do furo • Reduz risco de rasgamento, deformação e perda de área de contato Distância entre centros • Valores de e2 e, quando aplicável, e3 • Distribui a pressão e torna as peças intercambiáveis Forma da ligação • Longitudinal, angular, derivação ou flexível • Define caminho de corrente, sobreposição e esforço mecânico Conjunto de fixação • Parafuso, porca, arruelas e elemento elástico especificado • Mantém pressão de contato dentro do critério de projeto Controle de montagem • Torque, condição da rosca, sequência e inspeção • Permite repetir e auditar a junta executada
Esses itens devem aparecer no desenho de fabricação. A indicação genérica "furar na montagem" não fornece posição, tolerância, ferramental, critério de inspeção nem rastreabilidade.
Esquema didático das formas de furação para barramentos retangulares, com as dimensões b, d, e1, e2 e e3; as medidas finais devem ser confirmadas na DIN 43673-1 e no desenho aprovado.
A ilustração organiza visualmente as formas, mas não autoriza extrapolar sua faixa escrita. Em especial, a aplicação dimensional a 120 mm precisa ser confirmada na DIN 43673-1 original ou na documentação do sistema adotado, pois o extrato técnico público usado na tabela deste artigo apresenta a Forma 4 para 80 e 100 mm.
Como interpretar b, d, e1, e2 e e3
A leitura começa pela linha de centro dos furos e pelas bordas de referência da barra. Não se deve medir apenas o espaço visual entre furos: a cota funcional é dada entre centros ou entre a borda e o centro.
Símbolo • Significado • Pergunta de verificação b • Largura do barramento retangular • A largura real e sua tolerância correspondem ao material e ao desenho? d • Diâmetro do furo • O furo é compatível com o parafuso e com a folga prevista, sem remover cobre em excesso? e1 • Distância da borda de referência ao centro do primeiro ou último furo • Há material suficiente entre o furo e a borda para a solicitação mecânica da junta? e2 • Distância entre centros de furos consecutivos no arranjo básico • A distribuição mantém alinhamento, área de contato e repetibilidade? e3 • Distância central complementar usada em determinados arranjos • O desenho identificou corretamente quando e3 difere de e2?
Formas típicas de furação
A forma não indica a capacidade elétrica da junta. Ela descreve um padrão geométrico de furos na extremidade da barra. A seleção correta começa pela largura nominal b, mas também depende do tipo de conexão e do desenho executivo.
Forma • Larguras contempladas no extrato técnico consultado • Geometria básica • Cotas usadas 1 • 12 a 50 mm • Um furo na linha central da largura • d, e1 2 • 25 a 60 mm • Dois furos alinhados no comprimento • d, e1, e2 3 • 60 mm • Três furos alinhados no comprimento • d, e1, e2, e3 4 • 80 e 100 mm • Arranjo de quatro furos, em duas linhas • d, e1, e2, e3
Resumo dimensional para projeto preliminar
A tabela a seguir é uma síntese seletiva, em milímetros, de larguras usuais mostradas no catálogo técnico público da Rittal para conexões segundo DIN 43673. Ela não reproduz integralmente a tabela da norma e não deve ser usada como única especificação de fabricação.
Largura b • Forma • Diâmetro d • e1 • e2 / e3 20 • 1 • 9,0 • 10 • — / — 25 • 1 • 11 • 12,5 • — / — 25 • 2 • 11 • 12,5 • 30 / — 30 • 1 • 11 • 15 • — / — 30 • 2 • 11 • 15 • 30 / — 40 • 1 • 13,5 • 20 • — / — 40 • 2 • 13,5 • 20 • 40 / — 50 • 1 • 13,5 • 25 • — / — 50 • 2 • 13,5 • 20 • 40 / — 60 • 2 • 13,5 • 20 • 40 / — 60 • 3 • 13,5¹ • 17 • 26 / 26 80 • 4 • 13,5¹ • 20 • 40 / 40 100 • 4 • 13,5¹ • 20 • 40 / 50
¹ O diâmetro de 13,5 mm aparece indicado no esquema das Formas 3 e 4 do extrato técnico consultado.
Uso responsável da tabela: antes de liberar o desenho, confirme cada valor na DIN 43673-1 original, na edição contratual do projeto e na documentação do sistema de barramentos. A tabela não inclui todas as larguras previstas na referência. Para barra de 120 mm, não extrapole as cotas da Forma 4: o extrato público consultado apresenta 80 e 100 mm, portanto a geometria de 120 mm precisa ser definida pela fonte normativa ou pelo sistema ensaiado adotado.
Como transformar a tabela em desenho de fabricação
- Identifique a extremidade de referência e a face da barra no desenho.
- Trace a linha central em b/2 para as formas alinhadas; na Forma 4, represente as duas linhas e seus eixos sem ambiguidade.
- Cote e1 da extremidade da barra até o primeiro centro, nunca até a borda do furo.
- Cote e2 e e3 entre centros consecutivos conforme a forma selecionada.
- Especifique d com sua tolerância própria, processo de fabricação e acabamento da borda.
- Informe posição, orientação, quantidade de peças espelhadas e referência de inspeção.
O extrato técnico consultado informa ±0,3 mm para os afastamentos entre centros dos furos. Essa tolerância não deve ser aplicada indiscriminadamente ao diâmetro, à largura da barra, à perpendicularidade, à planicidade ou à posição da junta no painel. Cada característica precisa de tolerância e método de medição compatíveis com sua função.
Rasgos podem aparecer como solução prevista em uma extremidade da barra ou de um pacote de barras. Eles não devem ser abertos na montagem para corrigir erro de alinhamento. Quando necessários, comprimento, largura, raio, orientação e extremidade permitida devem constar no desenho e ser confirmados na norma original e no procedimento do fabricante.
Inspeção da furação
Característica • O que verificar • Evidência recomendada Diâmetro d • Medida, circularidade e compatibilidade com o fixador • Calibre ou instrumento definido no plano de controle Centros e1/e2/e3 • Origem correta, distância entre eixos e simetria • Relatório dimensional ou gabarito validado Linha central • Furos alinhados e centrados na largura aplicável • Gabarito, máquina CNC ou medição de coordenadas Rebarba • Faces de contato sem ressalto ou cavaco • Inspeção visual e tátil controlada Planicidade • Barras assentam sem serem puxadas pelo parafuso • Régua, desempeno ou critério do desenho Revestimento • Estanhamento ou acabamento preservado após usinagem • Inspeção conforme especificação da barra
Formas de conexão em barramentos de cobre
Quatro formas usuais de conexão em barramentos de cobre: emenda longitudinal, ligação angular, derivação em T e conexão flexível; a imagem é conceitual e não substitui o projeto executivo.
Emenda longitudinal aparafusada
É usada para prolongar um barramento ou unir trechos fabricados separadamente. A sobreposição precisa oferecer área de contato e espaço para distribuir os parafusos sem enfraquecer a seção. As barras devem permanecer coplanares; apertar para corrigir empenamento transfere deformação para a junta e cria pressão irregular.
O projetista deve verificar a corrente que atravessa a emenda, a área efetiva de contato, a seção remanescente junto aos furos, o acesso à ferramenta de torque e o apoio mecânico nas proximidades. A posição do suporte não deve fazer a junta trabalhar como articulação ou ponto de flexão.
Conexão angular ou em L
É aplicada quando o caminho do barramento muda de direção. Além da furação, a dobra ou a cantoneira de ligação altera o caminho de corrente e pode concentrar calor e esforço mecânico. O raio de dobra, a distância entre o trecho dobrado e o primeiro furo e a possibilidade de torção precisam seguir o projeto e as recomendações do fabricante do cobre ou do sistema de barramento.
Uma ligação em 90 graus não deve ser montada puxando uma barra contra a outra. Desalinhamento precisa ser corrigido na fabricação ou por solução de conexão adequada, não pelo torque dos parafusos.
Conexão em T ou derivação
É usada para alimentar outra seção, fase, equipamento ou conjunto. A derivação muda a distribuição de corrente e cria uma região com furos e sobreposição em mais de uma direção. Devem ser verificados o balanço de esforços, a capacidade da barra principal, a corrente da derivação, a proteção do circuito derivado e o comportamento sob curto-circuito.
O desenho deve deixar inequívoco qual barra fica por cima, onde ocorre o contato elétrico e como a ferramenta alcançará todos os fixadores. Uma derivação aparentemente simples pode se tornar impossível de inspecionar depois da instalação de separadores, tampas ou cabos.
Conexão flexível com malha ou lâminas de cobre
A ligação flexível é indicada para absorver vibração, pequenos desalinhamentos previstos ou movimento térmico, por exemplo junto a transformadores, geradores, máquinas e componentes sujeitos a deslocamento. Ela não corrige erro de fabricação ilimitado.
A malha ou o pacote de lâminas deve ter corrente nominal, elevação de temperatura, raio de curvatura, capacidade de curto-circuito e terminais compatíveis com a aplicação. O fabricante deve informar a furação e o torque dos terminais. A parte flexível não pode tocar arestas, suportar o peso de equipamentos nem permanecer torcida.
Forma • Aplicação principal • Verificações críticas Longitudinal • Prolongamento do barramento • Sobreposição, planicidade, área de contato e apoio próximo Angular/L • Mudança de direção • Dobra, torção, acesso ao aperto e concentração de esforços T/derivação • Alimentação de outro circuito • Divisão de corrente, proteção, seção remanescente e acesso Flexível • Vibração ou movimento térmico previsto • Corrente, curto-circuito, flexão, terminais e raio mínimo
O que precisa ser cotado em cada conexão
Conexão • Cotas mínimas no desenho • Decisão que não pode ficar para a montagem Longitudinal • Comprimento de sobreposição, forma dos furos, d, e1, e2/e3 e posição dos suportes • Qual extremidade admite rasgo, sequência de aperto e face de contato Angular/L • Referência da dobra ou peça de união, raio, ângulo, centros e afastamento do primeiro furo • Como o esforço de dobra será isolado da junta e como o torquímetro terá acesso T/derivação • Eixos das barras, sobreposição, ordem das camadas e furos de cada direção • Qual barra conduz cada corrente e como a derivação será suportada Flexível • Comprimento livre, orientação, raio mínimo, terminais e furação • Faixa de movimento, corrente admissível e esforço que não pode chegar ao equipamento
Em qualquer forma, a área geométrica sobreposta não é sinônimo de área elétrica efetiva. Pressão irregular, empenamento, rebarba ou oxidação podem reduzir a área real de contato a poucos pontos. Por isso, a definição da furação precisa caminhar junto com planicidade, preparação superficial e força de aperto.
Distância entre barras, partes energizadas e suportes
A DIN 43673-1 ajuda na geometria da furação e da conexão. Ela não fornece, isoladamente, todas as distâncias necessárias ao painel. Três decisões diferentes costumam ser confundidas:
Arranjo didático de barras, suportes e invólucro; as distâncias dependem do estudo elétrico e mecânico do conjunto.